terça-feira, agosto 18, 2009

Efêmero...

"...IF THIS IS WHERE WE END IT UP THEN I REFUSE TO BE SO HARD ON MYSELF THIS TIME..."
James Morrison, The Only Night.








"...if everything I have is gone
then what is wrong
in spending time with you?
I'll keep you warm,
you'll hold me tight
this might be our only night..."





Dias comuns encerram-se em si mesmos. A noite joga seu pano preto e esconde o sol, as estrelas tomam posição e lá se vai. Não há o que se possa fazer. Dias comuns não suscitam expectativas, quando muito a esperança de que se acabem, rápido, pra dar chance ao dia seguinte, pra que aconteça algo de extraordinário que nos mova, que nos faça levantar.
Dias comuns nos dão preguiça, preguiça de gente, preguiça de vida, preguiça... O tédio toma conta e não se espera que a escolha do melhor lugar para uma viagem de uma hora no trem possa mudar isso. O cabelo preso no alto da cabeça deixa a coleção de tatuagens a vista de olhares cobiçosos. O fone do rádio o ouvido e uma atitude blasè completam a fotografia. O meio sorriso estampado no rosto, fruto do significado da música que tocava, já havia chamado uma atenção, em especial.
Ela continua pensando no dia sem sal enquanto contempla um rosto desconhecido, um torso nu de músculos definidos e uma enorme e bem executada tatuagem no braço, do outro lado do corredor. Apesar de não ser o tipo que a faria olhar duas vezes, ela olha. Ele olha, os olhares se cruzam e ela solta os cachos longos para esconder o rosto. Ele acha graça, encara. Ela foge, encabula. E começa o jogo! Dias comuns não trazem de presente, no fim, um sorriso sedutor e flertes certeiros. Ele continua a tentar aproximação, ela muda de posição, se reconhecem em olhares separados por ar e tensão.
Desconsertada, ela pega um chocolate na mochila, ele percebe e sorri. Poucos instantes, ele se dirige à porta, vai chegando a próxima estação. Cabeça baixa, lança um novo olhar para ela: pesar. Ela se angustia, e entristece. O trem para em frente à plataforma, ele diz um 'tchau', movendo os lábios, sem som. Ela fita o chão e a porta se abre. Ele exita, mas sai. Portas se fecham e ele parado na estação. O trem se move, ela o olha pela janela, acena, ele acena e diz que está ali todos os dias, àquela mesma hora. Ela sorri um sorriso muito particular e vira pra frente, enquanto o trem ganha velocidade. Um buraco se abre no peito e ela se sente só, como há muito não sentia. É bom e ruim, ao mesmo tempo. Se descobriu apaixonada, por poucos, mas preciosos, segundos... Não era um dia comum.




playlist

Jason Mraz - I'm Yours
Colbie Caillat - Bubbly
Jason Mraz & Colbie Caillat - Lucky
Sheryl Crow - All I Wanna Do
Jason Mraz - You And I Both



*momentos*

Um comentário:

Natanael disse...

Inspiraçoes, desejos e sonhos, varias paixoes por segundo, e um texto suave e agradavel!