segunda-feira, agosto 12, 2013

"...DANCING IN STILETTOS IN THE SNOW..."
Kayleig, Marillion.











E é tudo uma questão de significados: a frase mais usada ao longo do último ano, a imagem que me leva a um lugar que é só nosso, a sua atenção na escolha dos detalhes e o cuidado com o meu mau humor, o riso - que é fácil demais, os assuntos - que ficaram todos sérios, depois que a gente cresceu. Eu - livre; você - encanado; nós - completamente apaixonados.

Quando começam a me faltar palavras, tudo já ficou cinza. E você me colore os dias com as nuances da sua voz, com o brilho no seu olhar, com todo esse jeito de quem tem medo de machucar. E eu bagunço seus dias, com minha voz alta, com meu olhar inquisidor, com todo esse jeito de quem não tem medo de se ferir. E você se apropria de tudo a minha volta: do ar, dos espaços e das pessoas. E eu me aproprio de tudo a sua volta: dos silêncios, dos sentimentos, e, quase sempre, de você.
E você me fala, como se eu fosse a única audiência no mundo. E eu te ouço, como se nunca mais tivesse a oportunidade de ouvir alguém. Absorvemos um ao outro como se o mundo fosse acabar - e ele acaba, pra se reconstruir da próxima vez. E a gente se ama, porque é a única coisa possível no meio de tanta coisa, de tanta informação, do caos nosso de cada dia. E você espera que isso transborde de mim, e transborda, assim...





playlist

Depeche Mode
Marillion
Erasure
REM




(in)love
.

domingo, julho 21, 2013

"... I SEE YOU'VE COME SO FAR
TO BE WHERE YOU ARE..."
I won't give up, Jason Mraz







...and when you're needing your space
to do some navigating
I'll be here patiently waiting
to see what you found...



Porque os dias, sem você, são só os ponteiros do relógio, girando. Só as marcações no calendário, desoladas, uma após a outra. Passam, sem marcas - além daquelas no meu rosto. Nossos filmes e personagens favoritos, vinho caro - que você não bebe!, sua música velha, minha música boa, tudo repetido à exaustão, pra ver se o cansaço vence a saudade. Se a saudade acaba. Se o fim pode significar menos dor.
Porque o silêncio é completo, sem a sua voz. É opressivo. É assustador. Porque nenhum som faz tanto sentido. Ou faz sentir tanto. Mas as vezes, muito raramente, o consolo está em não ouvi-lo. Em afastar cada lembrança. Em me refugiar na solidão. Abençoada solidão.





*to wait for*

sábado, julho 13, 2013

sobre nós dois

"...so if you have a minute why don't we go
talk about it somewhere only we know
this can be the end of everything
so why don't we go somewhere only we know?..."
Keane, Somewhere Only We Know




Ansiedade. Sentimento concentrado por dias. Certamente seria especial. A contemplação, antes de ouvir sua voz. Sua voz, antecipando cada sensação possível. Seu rosto emoldurado por uma luz que é só sua, e aqueles óculos de sol que me são tão familiares. Seu sorriso, através da janela, seu cheiro impregnando aquele espaço exíguo que você ocupa completamente, ainda que haja espaço para eu me instalar de forma confortável. Enquanto o sol brilha lá fora, num típico dia de inverno, o frio toma conta do ambiente escuro e impessoal. O resto do mundo deixa de existir quando seu abraço aquece o momento, envolvendo meu corpo como se pudesse protegê-lo de tudo, mesmo de mim. O pouco tempo disponível para saciar o desejo, contrastando com a imensa vontade. E pareceram mais que horas, foram eras. Dois corpos nutrindo-se um do outro, olhares que diziam tudo o que palavras não poderiam traduzir. Peles desenhadas que se completam, anatomias que se ajustam, o encaixe perfeito. O êxtase. Vozes que falhavam, corpos convulsionando, sorrisos. Um abraço ainda mais apertado, o gesto mais íntimo, o toque mais sensível, uma declaração velada, e a realidade voltando a pairar sobre nós - a vida gritando, do outro lado da porta, num mundo de responsabilidades que nos espera, sempre. A perfeição vai se diluindo na necessidade de voltar aos papéis ordinários e em instantes somos só resignação. Um beijo rápido sela a breve despedida, com gosto de saudade. E a ansiedade se instala no peito, novamente, até a próxima vez.




*miss you love*

domingo, agosto 19, 2012

"... It's only words
And words are all I have..."
Boyzone - Words



Quando tudo transborda, é através das teclas. É em caracteres bem ordenados. É tentando, assim, colocar ordem no caos diário. Quando as condições normais de temperatura e pressão são as anormais, o refúgio é preto, e branco. O refúgio é entre papel, e tinta. É em letras, num exercício exaustivo de tentar externar o que envenena por dentro.
Quando tudo transborda é um tal de esconder do mundo, de voltar pra dentro, de tentar se proteger, e as letras me expõem. Me viram do avesso. Me tiram do prumo, me mostram como não quero mostrar, mas elas tem vontade própria, e caminhos pré-definidos. E razões que a própria razão desconhece. Elas saem, e tomam o próprio rumo, sem se importar com o que eu gostaria que fossem. Não as domino, é tudo instinto, intuição, acaso. Elas não me reconhecem, mas sigo à margem, reverenciando-as. Quando tudo transborda, é através delas.



quarta-feira, abril 27, 2011

"...THIS TIME I KNOW AND THERE'S NO DOUBT IN MY MIND..."
Kiss, Forever.











"...I hear the echo of the promise I made
when you're strong you can stand on your own
but those words grow distant as I look at your face
no, I don't wanna go it alone..."











Procurei tanto pelo teu rosto, entre tanta gente, por muitos anos... Via, em cada um, a possibilidade de ser você. Entre acertos pontuais e erros monumentais, a vida seguiu: pensei ter te encontrado tantas vezes quantas foram as decepções românticas que guardei pra mim. Desisti. Você passou a ser um sonho distante, uma idealização já vazia de significado, um príncipe encantado num reino onde a princesa se virava muito bem, sozinha. Passei a substituí-lo por cartas e relatórios, números, tabelas, gráficos, alunos e colegas de trabalho. Entorpeci, em mim, a vontade de ter você. Deixei de procurá-lo para fugir da possibilidade de ser encontrada e, quando pensei estar a salvo, você surgiu, de forma tão fantástica quanto se pode conceber, nesses nossos dias de não acreditar: brilhando numa caixa mágica, entre palavras doces, observações sarcásticas e uma aura fascinante. Manipulador e envolvente, você se aproximou, sem que eu percebesse. E ocupou espaços que eu sequer imaginava vazios. Se tornou meus dias, e noites. Irresistível, imprescindível...





playlist
Glee Cast

When I Get You Alone
Lucky
Firework
Baby It`s Cold Outside
Teenage Dream
Livin' On A Prayer
Need You Now



*(in)love*

domingo, abril 03, 2011

"...BABY, YOU AND ME GOT A GROOVY KIND OF LOVE..."

Phil Collins, Groovy Kind Of Love.


"...any time you want to

you can turn me on to

anything you want to

any time at all

when I kiss your lips

ooh, I start to shiver

can't control the quivering inside..."






Chove... os vidros do carro manchados por gotinhas finas, geladas, a lente dos óculos manchadas por gotas pesadas, quentes. Não há motivo pra se deixar levar pelo clima cinza lá de fora, mas o coração pesa e é melhor estacionar. Ela não consegue tirá-lo do pensamento, os poucos quilômetros de distância parecem um abismo, instransponíveis. Ela olha para o telefone, vê a foto dele na tela e sorri. Tira os óculos, seca o rosto, liga o carro, volta a guiar, segura. Lembra daquele sorriso lindo que vai estar sempre esperando por ela, no fim da estrada. Imagina suas vidas, dali pra frente e sonha, sonha acordada com o calor do corpo, com a voz, com o cheiro dele, com as covinhas pra sempre, do seu lado.

(in)ternas

quarta-feira, março 30, 2011

"...THERE'S MANY THINGS I WISH I DIDN'T DO..."
Hoobastank, The Reason.










"...but I continue learning
I never meant to do those things to you
and so I have to say before I go
that I just want you to know
I've found a reason for me
to change who I used to be
a reason to start over new
and the reason is you..."





E isso é sobre não conseguir pensar um mundo, sem pensar em você. É sobre ver tudo desbotando, diante dos meus olhos, e sobre saber que aquele por do sol, ali de cima, vai perder as cores, que eu vou perder esse brilho dos olhos tão notado por todas as outras pessoas nesse planeta. Isso tudo é sobre sentir saudades, sentir vontades, sentir frio, sentir medo. E sobre reagir ao medo. Isso tudo é sobre não saber como reagir, sobre ser puro instinto, sobre não querer ser. Isso é sobre descobrir o quão importante você é. E isso é sobre saber que, sem você, não há mais nada.





playlist


Jamie Cullum
What a Difference a Day Made
Gran Torino


Keane
Stop For a Minute
Bed Shapped
Somewhere Only We Know
Everybody's Changing


James Morrison
Broken Strings
The Only Night
Nothing Ever Hurt Like You
You Make It Real


*a safe place*


sábado, março 19, 2011

"..LONG DAYS, LONG NIGHTS, AND YOU JUST CAN'T SLEEP..."

Alicia Keys, How It Feels To Fly.















"...I never known this feeling, never
now I hope it stays and lasts forever
I am riding, I don't wanna come down
but my wings don't feel me now
if I can touch the sky
I risk to fall just to know how it feels to fly..."








Claro que a sensação era a de um sonho, pois era bom demais para ser qualquer outra coisa. Ela acordou no dia seguinte com o gosto dele, na ponta da língua, com a sensação de que era a pele dele, sob a palma da sua mão, com todo aquele calor - o dele e o que ele lhe provocava. O cheiro dele ainda invadia suas narinas e, instintivamente, ela o procurou com as mãos, entre os lençóis, torcendo para materializá-lo com a força do pensamento. Mas ele não estava, e a voz que ela ouvia, aos sussuros, era só eco da noite anterior, se repetindo à exaustão no seu peito vazio.

Por ter aberto mão das tantas máscaras sociais, sentia-se nua, mesmo sem ele por perto e a compreensão da falta que ele fazia transformou aquela manhã num abismo misto de saudade e comiseração. Não encontrá-lo ao seu lado, na cama, fez com que o dia se arrastasse, cinza e frio. Aquecia-se com as lembranças de olhos vivos que se divertiam prendendo seu olhar, do som ritmado da respiração dele, da ironia usada em doses homeopáticas, pra irritá-la na medida certa. Perdeu-se em devaneios e, ao se dar conta, metade do dia já tinha passado. Com saudades e sem perspectivas, fez um café forte e ligou o computador, para começar a trabalhar e tentar afastar o inverno existencial que a ausência dele traz.





playlist


The Call - Regina Spektor
Ultimo Romance - Los Hermanos
Teenage Love Affair - Alicia Keys
How It Feels To Fly - Alicia Keys
Gran Torino - Jamie Cullum
If You Are Gone - Matchbox 20




*(in)ternas*

quarta-feira, março 09, 2011

"...AND TONIGHT IT'S ONLY YOU AND ME..."
3 Doors Down, Here Without You.












"...I think about you baby
and I dream about you all the time
I'm here without you baby
but you're still with me in my dreams
and tonight, it's only you and me..."






Olhar para uma página em branco e intuir todas as palavras que preciso te dizer, sem conseguir materializá-las. Travar frente a possibilidade de me expôr mais, como se não fosse o bastante desnudar o corpo e fazer amor, como se o conhecesse há anos. Necessitar contar a você como me sinto e, ao mesmo tempo, querer me esconder atrás de um véu de orgulho e pretensão, pra não admitir que meus dias e noites são melhores depois que você chegou. Ter medo de parecer tola, fútil, volúvel, de não esperar o tempo regulamentar para sentir o que quer que seja, como se pudesse contar o espaço de tempo ideal pra cada ação, reação, sentido ou sentimento. Querer controlar o que vai no peito e falhar, pois, por não ter a opção de suprimir a sinceridade, sou impelida, pelo desejo, a dizer que te amo.




playlist


Hoobastank - The Reason
3 Doors Down - Here Without You
Aerosmith - Angel
Counting Crows - Accidentally In Love
Bon Jovi - Lie To Me
White Snake - Is This Love





*(accidentally) in love*

segunda-feira, março 07, 2011

"...AND THE REASON IS YOU..."
Hoobastank, The Reason.












"...I've found a reason for me
to change who I used to be
a reason to start over new
and the reason is you..."




Fazia muito tempo desde que sentira pela última vez aquele incômodo quase palpável, aquela dor estranha, aquele desconforto quase físico. Fazia muito que não sentia saudade. Já tinha esquecido a proporção que podia alcançar a ausência de outro alguém e lembrar disso, sem aviso prévio, deixou um gosto amargo na ponta da língua. E provocou medo.
Teve medo de sentir novamente que fazia parte de algo, de se reconhecer num espelho, e do espelho se quebrar. Pensou em se fechar no seu mundo, em lacrar as passagens e não deixar a luz entrar, mas percebeu que não cabe mais lá: precisa de companhia, de conforto, precisa dele ocupando os espaços, alegrando seus dias, implicando com qualquer coisa, despertando seus sentidos. Pela primeira vez, em anos, admitiu estar errada, voltou atrás. Admitiu que outro ser humano estava certo, e deixou que ele lhe guiasse e abrisse as portas de um mundo completamente novo.





*changes*

sexta-feira, março 04, 2011

"...AND THE DIFFERENCE IS YOU, IS YOU, IS YOU."
Jamie Cullum, What A Difference A Day Made.










"...oh, what a difference a day made
there's a rainbow before me
skies above can't be stormy since that moment of bliss
that thrilling kiss..."





Vinho tinto, lareira, sinos tocando. Frio, talvez alguma neve tingindo de branco a paisagem além da janela. Pétalas de rosa, um doce exótico, John Coltrane tocando baixinho, exitação calculada. Perfume suave, cobertores quentes, uma mão estendida - o idílio perfeito. A realidade mostrou-se mais prática, mais viva e, possivelmente, duradoura. Ansiedade, vontades urgentes, calor, tensão. Britrock, cigarros, entrega, descontração. Sorrisos, timidez, desejos satisfeitos e o merecido descanso. Reconhecimento mútuo, mãos dadas, fim de dia, fim de cena. Cai o pano...




playlist

Jamie Cullum
What A Difference A Day Made
Everlasting Love
Photograph
High & Dry
Mind Trick

Coldplay
Yellow
The Hardest Part
Lovers In Japan/Reign Of Love
The Scientist

Counting Crows
Round Here
Hard Candy
Mr. Jones

Keane
Bedshaped
Stop For A Minute

The Killers
Romeo and Juliet



*death - of the endless*

terça-feira, março 01, 2011

"...IT'S JUST ANOTHER STORY CAUGHT UP IN ANOTHER PHOTOGRAPH I FOUND..."
Jamie Cullum, Photograph.









"...it was the same night that i kissed that girl,
the tall one with the auburn hair,
I remember laughing coz to kiss me,
she had to sit down on a chair!
she tasted like the schnapps she'd drunk,
and the cigarette she'd stolen from her mum..."











Enquanto ele vinha, com aquele sorriso de canto de boca, ela não pode acreditar. Carne, ossos, e um charme de lhe fazer parar o coração. Jack Daniels, Jamie Cullum, Buenos Aires... E a conversa era tão fácil, e os gestos tão contidos, as vontades tão veladas e olhares tão explícitos. Se perdeu em meio às palavras, e tudo o que ele fazia era provocar. Primeiro o tempo não passou, depois o tempo não parava. E ela torcia, a cada gargalhada, para poder controlar o tempo. Foram se descobrindo e, no fim, já nem cabiam palavras. Já não importavam as horas. Despediram-se e ela, contrariada, não quis saber do sono - já sonhara de olhos abertos -, foi tratar de juntar lembranças pra aplacar a saudade que já começara a sentir.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

"...WHEN YOU FEEL SO TIRED, BUT YOU CAN'T SLEEP..."
Coldplay, Fix You.








"...and high up above or down below
when you're too in love to let it go
but if you never try, you'll never know
just what you worth..."





Primeiro um destino imutável, ou quase: nada de ouvir sinos tocarem, ou de procurar ser mais que um. Nada de acreditar em metafísica, de sentir, só o estar em uma casca: brilhante, bonita, e oca. Sem sentido. Dias de fletar com as sombras, assumir riscos, pensar na morte como um sonho, o fim de uma existência vazia. Mas destino pode ser remoldado, pode ser influenciado, mesmo que acredite que não. Destruição de paradigmas, ventos de mudança, chance de recomeçar, desejos aflorados quando desespero provoca delírio e vontade de acordar, de deixar o Sonhar, de viver conforme as próprias regras, de governar o próprio seu próprio reino, de seguir...

quarta-feira, agosto 25, 2010

"...AND I WONDER IF I EVER CROSS YOUR MIND. FOR ME IT HAPPENS ALL THE TIME..."
Lady Antebellum, Need You Now.







"...another shot of whisky
can't stop looking at the door
whishing you'd come sweeping
in the way you did before
and I wonder if I ever cross your mind
for me it happens all the time
it's a quarter after one I'm a little drunk
and I need you now..."





Não é por mal, mas imaginar o quanto ele não confiava fez com que toda sua auto confiança fosse embora. E ela percebeu a diferença entre os dois, o que os distinguia: eram os melhores amigos, gostavam de muitas coisas parecidas, mas ela sequer imaginava a possibilidade de ser traída por ele, em qualquer sentido. Ele, pelo contrário, era cínico e isso começava a minar a segurança dela. Ela queria uma história nova, e se moveu de um jeito que o deixou perplexo: desistiu de agradá-lo. A pessoa nova qu emergiu das desconfianças dele também a surpreendeu, e ela se viu mais leve.








*sem mais*

sábado, agosto 07, 2010

"...THIS FELL IS SO INTENSE, SOMETIMES IT CAN LEAD YOU BLIND..."
James Morrison, Save Yourself.









"...oh!, and if you stay with me
honestly it's what I want
but if you stay with me
I know I'll hurt you more..."






Ganhou, de presente, tanto no que pensar que a noite que prometia ser mal dormida passou a não dormida, de uma vez só. O excesso de sinceridade dele derramou verdades inconvenientes em seu fim de dia. Os sentimentos presos no peito e os pensamentos vagando soltos por todo lugar, tentando alcançá-lo, sem encontrar, pretendendo consolá-lo, sem saber como se consolar. A cama ficou maior e o quarto mais frio, a noite ficou mais escura e a sensação de se afogar no negrume que anuviava sua mente era quase palpável. Sabia não haver respostas prontas, ou motivo para buscá-las, mas não conseguiu deixar de tentar.
Lembrava as longas horas de conversa, a descontração natural, a rapidez com que a vida se desenrolou. Grandes amigos, bons companheiros, parceiros de jornada: o amor romântico não tinha lugar e, até descobrirem o grande engano, tudo corria sem tropeços. Mas nada permanece escondido por muito tempo, sem que esperassem o problema foi parar em suas portas. A vontade de ficar mais perto, de tocar, de falar todo o tempo, o desejo sendo disfarçado de cuidado. A inspiração se esvaiu, dando lugar a uma sutil melancolia. Ela estava perdida, sabia, e sentia que, do outro lado de seu mundo, ele também estaria.
Rolou pela cama, sem encontrar conforto em qualquer posição, esticou o braço e tocou o telefone celular mais de uma vez. Sabia que ele também não conseguiria dormir, mas perdeu a coragem de ligar - nunca antes tivera dúvidas sobre chamá-lo, a hora que fosse. Decidiu levantar e abrir as janelas, contemplar a noite e sentir o frio, torcendo para o sono chegar. Sem perceber, viu o céu clareando aos primeiros raios de sol. O corpo gelado pelo ar da madrugada que ia entrando pela janela, entorpecido pelo frio, pedia o aconchego da cama, dos cobertores, mas a cabeça não parava, era impossível relaxar! Saiu do quarto e foi fazer um café, torcendo para a bebida lhe aquecer e levar embora todo o medo que a noite nao permitiu sair.




playlist


Ne-Yo
James Morrison
Justin Timberlake
The Underdog Project
Jamie Cullum




*we're gonna celebrate as much as we can*

domingo, julho 25, 2010

"...LET ME OUT OR LET ME IN"
Ben's Brother, Let Me Out.








"...and tell me how we can win
'cause I really wanna know now
before I begin to let you go
to let you go, so let me know..."





Perco a objetividade, no marrom dos teus olhos
Intensos
Perco a intensidade, perto das tuas palavras
Densas
Perco densidade no calor do teu abraço
Derreto
No teu peito
Desfaço
Dissimulo
Disfarço
Uso tudo o que conheço
Para esconder o brilho dos meus olhos
Janelas
Passagem para um peito que te recebe
Aberto
Inseguro dos encantos que possui




playlist

Ben's Brother - Let Me Out
Gwen Stefani - 4 In The Morning
Matchbox Twenty - Push
Stereophonics - Have A Nice Day
Eddie Vedder - Guaranteed



*so I can breathe*

quarta-feira, julho 07, 2010

"...I'D BEG, I'D STEAL, I'D DIE TO HAVE YOU IN THESE ARMS TONIGHT..."
Bon Jovi, In These Arms.








...these were our words
our words were our songs
our songs are our prayers
these prayers keep me strong
and I'd still believe
if you were in these arms...






Me derramo em sentimentos e sentidos, mesmo ao sentir o quase nada que tua ausência traz. Meus ouvidos acostumaram-se com a tua voz ao telefone, com a preocupação velada, com a satisfação de me perceber animada. Minha vaidade acostumou-se com tua atenção, com tuas gentilezas, com seu sorriso franco. Meus olhos acostumaram-se aos teus, atentos, tentando decifrar quem sou ao observar o que faço. Sou um corpo acostumado com tuas mãos, com teu peso, com o calor da tua pele. Minhas vontades acostumaram-se a ser saciadas pela materialização do teu desejo e já não sou, quando você não está. Meu medo acostumou-se com tua mão a segurar na minha, porto seguro, quando está escuro, quando o lugar é alto, quando a vida pede mais do que penso ser capaz de dar. Meu ímpeto acostumou-se ao teu bom senso e meu ar voluntarioso se curva aos teus conselhos. Minha vida acostumou-se a confundir-se com a tua, a embolar-se, confusa, numa rede de nós. Você se acostumou a ser o preferido, aquele escolhido, irmão, amante e amigo. E eu me acostumei a ser nós dois.





playlist

All About Lovin' You - Bon Jovi
Misunderstood - Bon Jovi
I'll Be There For You - Bon Jovi
She - Elvis Costello
Bed Of Roses - Bon Jovi
Livin' On A Prayer - Bon Jovi
Miracle - Bon Jovi



*it's all about lovin' you*

terça-feira, junho 15, 2010

"...I CAN'T FIX WHAT YOU BROKE..."
Gwen Stefani, Early Winter.





"...it's said the map of the world is on you
the moon gravitates around you
the seasons escape you
and I always was, always was one for cryin'
I always was one for tears
no I never was, I never was one for lyin'
you lied to me all these years..."




Em instantes... Não leva mais que alguns instantes para que ela processe as informações: ele se foi, volta logo, segundo a mensagem que brilha na tela do computador, alguns dias. O hiato formado pela sua ausência, já não tão sentida, comprova a tese de alguns amigos: já não faz mais tanta diferença. O telefone toca e alguém solicita sua presença, uma festa com rostos conhecidos, comida boa, música agradável e toda bebida que se puder consumir. O lugar onde ele não gostaria de vê-la, o lugar onde ela queria estar!
O melhor amigo esperando no carro, a expectativa. Sentimentos aflorados: frustração, saudades e raiva por sentir-se tão vulnerável. Ao entrar no carro, outro mundo: sorrisos, abraços, ternura. Ele espera algo mais, ela não sabe o que esperar. Decide deixar o mundo girar, vai saber o que virá...?
Sons, sabores, odores. As cores da noite misturadas a luzes, clima e vontades. Antes de ceder, ela pondera. Imagina as impressões do mundo, espera. Pensa as possibilidades, o destino da amizade, o que pode ser de verdade e lembra das noites solitárias, dos dias improdutivos, do stress cotidiano. Não há o que perder. Encontra um sorriso acolhedor, um abraço protetor, carinho e uma entrega que há muito não sabia existir. Esquece os problemas pra resolver, o restante do que tem pra viver, inspira fundo e se joga.
O dia começa com os dois entrelaçados, mãos dadas, nascer do sol. Um pouco a mais de álcool, muito mais de emoção. Um não saber o que fazer, um bem querer, uma história pra esquecer. Ela precisa se decidir, não sabe o que há de vir. Vai viver, e pensar, amanhã!




Playlist

Gwen Stefani - Early Winter
Panic! At The Disco - New Perspective
MatchBox 20 - Push
GooGooDolls - High & Dry


*confuse*

sábado, abril 10, 2010

"...I FOUND OUT THAT LOVE WAS MORE THAN JUST A GAME..."
Gary Moore, Still Got The Blues.







"...you're playing to win
but you loose just the same
so long, it was so long ago
but I've still got the blues for you..."




Teve saudades de casa, e do colo da mãe. Viajou algumas horas sob um céu nublado que lhe lembrava algum momento, por mais que não conseguisse precisar qual era. Novos amigos, velhos conhecidos, concentrados no mesmo espaço. Estacionou o carro, beijou a irmã na testa, jogou as chaves pra ela e caminhou pelas ruas da infância. Um chuvisco começou a cair e já estava meio longe da casa materna, mas dentro dos limites do que lhe era familiar. Passou por uma rua que vinha evitando há anos, para cortar caminho, e, como atraído por um imã, ele apareceu: guiando o mesmo carro, mas o modelo do ano, impaciente com o controle do portão, como sempre.
O ar ficou mais pesado, por pouco segundos, e ele partiu. Ela tinha certeza de não ter sido percebida, até que o carro parou, um pouco à frente.

- Oi! Quase não te reconheci, menina!
- Olá... - ela estava entre o ódio de si mesma e a raiva dele, por ter resolvido parar.
- Entre, não estou fazendo nada, mesmo. Te dou uma carona. Você está meio longe de casa, não é?
- Centenas de quilômetros, pra ser sincera, mas meu carro está na garagem da minha mãe.
- Tão longe? Acho que devo ter passado tanto tempo fora que nem tive tempo em reparar nos detalhes do dia a dia corrido daqui, não é? Jurava que você não teria deixado sua mãe... - um sorriso iluminou aquele rosto e ela lembrou.


Era outono, em Londres. O final desastroso para a viagem que lhes devia ter salvo uma relação cheia de tropeços, com um início de conto de fadas e um fim tão anunciado quanto real, duro... Afastando os pensamentos, decidiu ceder a qualquer menor provocação. Iria dizer tudo o que viera entalado, desde o Velho Continente!


- ... e você nem ouviu o que eu disse! A mania de não me dar atenção permanece ou será que dessa vez eu posso ter esperanças em ocupar um espaço maior? - muito mais rápido do que ela pensou!
- Olha, preciso ir... - ainda tentou ser civilizada...
- Fugindo, como da última vez!
- Fugindo do quê? - a linha tênue. O limite - Quem você é? O que você representa para que eu precise fugir?


Ele não esperava reação tão contundente. Nem ela, que fez menção de sair do carro, ele a deteve.


- Você jogou fora um monte de coisas. Planos! Meus, seus... Nossa casa, nossas coisas, nosso casamento! Fugiu, sim... Eu ainda consigo te ver me dando as costas naquele aeroporto! O dia era como hoje, com um oceano de distância! Como a vida é irônica, não é? Essa cidade quente, ensolarada, vestida de chuva só pra nos brindar? - ele não entendeu e ela estava tentada a explicar, anos depois.
- Sua casa! Suas coisas! Seu casamento! Eu tive uma participação muito pequena nisso tudo! Na verdade eu fui muito mais uma questão logística do que uma paixão avassaladora! Você precisava de uma desculpa pra sair de casa. Inventou um casamento! Ignorando coisas como maturidade ou sentimentos alheios, você precisava de uma desculpa para seguir com seu mundo perfeito. Era uma chance em um milhão: uma esposa que tinha potencial pra ser perfeita, já que a certeza era impossível, que conhecia e contava com a simpatia da sua mãe, que poderia viver a sua fantasia de relação ideal. Alguém que iria se dispor a anular qualquer traço de vontade própria para agradá-lo. Alguém que conseguisse passar por cima de solidão e falta de atenção por uma ou duas viagens à Europa por ano! - ela não iria poupá-lo, como da última vez - Mas você errou! ERROU! Diferente dos êxitos com que se acostumou, você errou, feio! Eu seria capaz de anular minha vontade, mas não de passar por cima de qualquer coisa.


Ele ligou o carro. Guiou a esmo. Os dois, calados. A tensão nos olhos, a impaciência nas mãos que seguravam o volante. Ela pediu a ele para parar. A intensidade da chuva cada vez maior, como que refletindo os espíritos dentro do carro. Ele continuou a guiar, estava tonto, queria respostas, achava que ela devia algo.


- Você foi embora sem grandes explicações... Eu fiquei lá, sem poder falar e sem nada o que ouvir!
- A única grande explicação que você me ofereceu para o passo que demos era mentira!
- É você quem está dizendo! Como em Heathrow, não me dá chances para explicar... - foi a vez dela interrompê-lo.
- Chances!?!? Eu viajei até o outro lado do mundo pra tentar dar uma chance àquela mentira! Horas sentada ao seu lado, dentro de um avião, com tanta comunicação que podia ser um chinês desconhecido ao meu lado! Daria na mesma! Mais de vinte dias em outro continente e você, muito pouco convincente! Nenhum relacionamento resiste ao cinismo!
-Nenhum relaconamento resiste a filhos! Você tem o exemplo dos nossos pais! Só conveniência! Eles deixaram de ser marido e mulher desde quando tiveram filhos... os meus pais, os seus pais! O que te leva a crer que seria diferente com a gente? - ele foi direto ao ponto.
- Nenhum relacionamento resiste a um aborto! Principalmente quando alguém faz uma festa de comemoração enquanto há um bebê morto e uma mulher internada! E não me diga que eram negócios aquele monte de copos de wisky espalhados pela minha... sua sala de estar! Não era isso que os vizinhos diziam quando cheguei em casa, no dia seguinte, e eles achavam que você tinha passado a noite comemorando a volta da sua família pra casa! - sentiu o amargor na ponta da língua.
- Não foi culpa minha! Nem sua! Foi um tombo normal, sem grandes consequências se você não estivesse grávida! Não foi culpa minha...
- Você comemorou! Você não teve o respeito de ir comemorar fora da minha casa! - ela estava beirando a histeria.
- Não nego que eu não quisesse, eu não queria, não pedi aquilo! Mas você estava feliz, era o suficiente pra mim. Eu tinha medo, claro. Foi um início difícil, mas não fui eu quem te fez cair. Não foi culpa de ninguém. E eu não torci pra que você perdesse a criança!
- Você comemorou!!! - ela gritava.
- Você foi embora, eu não pude tentar...
- Eu passei vinte dias com você em Londres e você não tocou no assunto uma só vez. O primeiro mês sem ele. Você não tentou me consolar, você nem consegue dizer que era seu filho! Você me arrastou por todas as galerias, castelos e museus do Reino Unido, sem me dar chance para respirar!
- Era minha forma de fazer as coisas... E de me desculpar pela bagunça em casa, quando você chegou do hospital...
- Não me convenceu... Nem lá, nem aqui. E não me importa quantos anos se passem, eu não vou ser convencida das suas boas intenções! - dura, ela percebeu que a chuva havia arrefecido - Deixe-me descer do seu carro e volte para a sua vida. Eu não vou lembrar que te encontrei, não vou me torturar por isso. Apague esses poucos minutos, você bem sabe que é capaz!
- Você ainda é minha mulher. Depois de anos, ainda é assim. A lei ainda te reconhece assim. E eu não consegui ocupar esse espaço. Não estou te pedindo para voltar... Você não vai entender... Nós ainda somos um... Nem tomamos as precauções legais para desfazer os laços, isso deve ter algum significado!
- Claro! Significa que nem para me livrar do seu nome eu estava disposta a encontrá-lo. E que, pelo menos, vergonha você deve ter sentido, pra me fazer o favor de não me procurar! Pare o carro!


Ele foi parando, até que ela percebesse estar no portão da mãe.


- Eu não vou deixar você ir. Não dessa vez! - ele parecia decidido.
- Eu já fui! - Ela saiu, batendo a porta do carro. Entrou em casa, até a sala de estar. Pegou as chaves do seu carro e saiu, sem falar com ninguém.

Chorou por todos os quilômetros de volta. Cada um deles. Deixou o celular tocar um sem número de vezes. Mandou uma mensagem de texto breve para a irmã, avisando que estava tudo bem e que havia retornado para atender uma emergência. Sequer guardou o carro na garagem: largou o veículo estacionado em frente ao portão e entrou, se jogou no sofá da sala, sem lágrimas, até adormecer. Sonhou com ele, acordou assustada. Não conseguia esquecer seus olhos, não podia esquecer que ele queria se explicar... Voltou a adormecer, com os olhos dele no pensamento...





playlist



Zélia Duncan - Tudo Sobre Você
Ana Carolina - Dois Bicudos
Engenheiros do Hawaii - Eu Que Não Amo Você
Isabela Taviani - Foto Polaroid
Nando Reis - Sim





*em partes*

terça-feira, abril 06, 2010

"...LOVERS ALWAYS COME AND LOVERS ALWAYS GO..."
Guns 'N Roses, November Rain.








"...and no one's really sure
who's letting go today walking away
if I could take the time
to lay it all in the line
I could rest my head
just knowing that you were mine..."




Vestiu a fantasia de vítima para escrever frases comoventes. Não deu certo. A imagem dele se fez presente em sua lembrança, e tudo o que pôde fazer foi sorrir. Lembrar do porte que sempre lhe tira o fôlego, dos ombros que carregam se peso, sempre que lhe pede, só podiam se traduzir em felicidade instantânea, miojo pra alma. Recordou o sorriso imperfeito, o mais belo que existe, e o peito acelerou! Se ele pudesse vê-la naquele momento...
A face corada pelos bons pensamentos, ondas de prazer inundando o corpo, o espírito leve. Sonhou acordada e esqueceu seus escritos. Não sabia de mais nada que não fosse a contemplação mental daquele que era seu sonho, e sua realidade. Tinha uma encomenda, um texto soturno, um lamento, para ser entregue naquela tarde. Abriu a janela e inspirou o ar limpo, frio, pegou o telefone e ligou para o editor. Confessou sua incapacidade de ser infeliz e a impossibildade de entregar o pedido. Nem um abalo, sequer, com as queixas e imprecações do amigo. Resolveu desligar, antes que ele começasse a questionar toda sua felicidade, foi pra rua, assoviando uma canção de amor.



playlist

Counting Crows
Maroon Five
Matchbox Twenty
James Morrison



*(in)love*

domingo, março 21, 2010


"...SEEMS LIKE I SHOULD BE GETTING SOMEWHERE..."
Soul Asylum, Runaway Train.












"...so tired that I couldn't even sleep
So many secrets I couldn't keep
promised myself I wouldn't even weep
one more promise I can't keep..."




Precisava de uma fotografia bonita, onde não estivesse qualquer vestígio de mim. Não fui capaz. O deserto do fundo do peito traduzido na areia retratada na foto, os dois tão próximos que mal sentem a presença do outro - já virou rotina. São sempre impressões, mas minhas letras, meus sons, minhas imagens são exatamente isso: MINHAS. Apropriações indébitas, tomadas de quem nem me conhece. Referências que me desnudam e, quando quer, você consegue enxergar. Como um aparelho de raio X seu olhar me trespassa, focando só os pequenos pontos que te interessam, quando passam a interessar. Queria uma fotografia, uma música e letras que não falassem de mim, mas como? Sou toda centrada em meu próprio umbigo, tão transparente que, mesmo o que não sei, sei só de mim...
São feitos de impressões, esses dias. Só aquilo que se pode pinçar de um olhar, uma palavra mais dura, do cansaço que tenho esboçado nos últimos tempos. E é verdade, cansaço. Aquele que a gente não consegue combater sem se dar o tempo necessário para repôr as forças, o que não se resolve quando estamos agitados, nos debatendo, naquilo de que os afogados morrem: o desespero pela salvação. O cansaço me levou longe, e nem seu brilho é capaz de iluminar as vielas sujas por onde nos enveredamos. A flor murchou, as cores desvaneceram, as dores tem muito mais destaque e nós, somos e estamos, em segundo plano.



playlist:


Céu
Ana Carolina
Isabela Taviani
Arnaldo Antunes
Frejat
Lô Borges



*until you go*